A boneca mais incônica do mundo chega ao cinema! Será que a Barbie virou feminista?

Às vésperas da estreia de um dos filmes mais aguardados do ano, o tema da bag de calcinhas de julho da Pitaya está alinhado com as telonas: vamos falar da Barbie! O frisson em torno da produção cinematográfica começou em 2019, e desde então estamos aguardando para conferir como a diretora Greta Gerwig dará vida à boneca mais vendida do mundo. Com os filmes “Adoráveis Mulheres” e “Lady Bird” no currículo de Gerwig, para “Barbie” esperamos mais uma obra que trabalhe com a perspectiva feminina, subliminarmente criticando o patriarcado. Ou, quem sabe, explicitamente?

A expectativa é que possamos enxergar a boneca criada há mais de 60 anos com os olhos do século 21, para refletir sobre como evoluímos na concepção de mulher que queremos apresentar para as nossas crianças. Afinal, muito mais do que um brinquedo, a Barbie é um ícone para bilhões de meninas ao redor do mundo que tiveram, e ainda têm, a loira magérrima como objeto de projeção do seu eu adulto. 

A figura de peculiares proporções físicas, em cujo torso não caberiam nem todos os órgãos vitais, surgiu em 1959, inspirada em uma boneca alemã que reproduzia uma garota de programa. A ideia de transformar uma mulher adulta, sexualizada, em um brinquedo veio de Ruth Handler, criadora da Mattel junto com o seu marido. Ela identificou que sua filha, Barbara, não tinha opções de brinquedo que estimulassem a imaginação para além da maternidade. A menina estava limitada a trocar as fraldas de bonecos bebês, enquanto o outro filho, Ken, brincava de astronauta.

A causa era justíssima. O objetivo era oferecer às meninas um brinquedo com o qual elas pudessem se imaginar no futuro, antes de serem mães. Uma mulher jovem, atraente, com um namorado e, quem sabe, até com uma carreira, imaginem só! A ideia era suficientemente subversiva para a época e, por isso, foi fortemente rechaçada pelos compradores das lojas de brinquedos. Como assim vender para crianças uma boneca que era objeto de desejo de homens adultos? As mães no começo também não gostaram muito, já que se sentiam ameaçadas pelo novo brinquedo.

A situação só mudou quando um psicólogo contratado pela Mattel percebeu que as meninas adoravam a Barbie por ser bonita e arrumada, e, assim, elas passavam a almejar isso para o seu próprio futuro. Aos poucos, as mães entenderam que a boneca era uma boa estratégia para que suas filhas se mantivessem garbosas, prontas para garantir um bom casamento.  Não à toa, a primeira propaganda de sucesso da Barbie foi a versão noiva, em que a boneca esperava no altar com um vestido branco armado e rodado. 

Ou seja, para conseguir vender uma boneca que representasse as mulheres em outros aspectos da vida que não o da maternidade (uma visão bastante progressista), resolveram valorizar o casamento (uma visão bem pouco progressista). Mas essa é a coreografia do progresso: dois passos para frente, um para trás. E assim foi: a Barbie se tornou sucesso de vendas sem precedentes, um ícone de moda. 

Desde então, é difícil conhecer uma mulher adulta, de menos de 70 anos, que não tenha tido uma Barbie na vida. Ao longo das décadas, a loirosa assumiu zilhões de modelitos, cortes de cabelo e profissões. De uma forma ou outra, a evolução da boneca foi refletindo a da mulher na sociedade, sem quebrar grandes padrões, mas também sem ficar para trás das conquistas femininas. Já nos anos 1960, havia versões da Barbie enfermeira, professora e aeromoça, e, eventualmente, a médica e a pilota também surgiram.

O que não mudou nesse tempo todo foi o formato surrealista do corpo da boneca. A cintura impossível, os seios pontudos, e aquelas pernas desnecessariamente compridas tornaram-se marcas registradas da boneca e acabaram sendo o sonho de muitas meninas. Como crescer aceitando ter formas mais curvas e volumosas quando tudo que queríamos era ser como a Barbie? Claro que a boneca era apenas uma das figuras que referenciavam nosso modelo de mulher, mas o impacto desse tipo de padrão, somado a todo resto que absorvemos da sociedade, pode deixar marcas invisíveis na autoestima feminina. 

As feministas dos anos 1960 já detectavam esse risco, de modo que a boneca sempre esteve sob escrutínio. Foram anos, décadas, martelando na tecla de que a Barbie contribuía para que as mulheres tivessem uma percepção deformada dos próprios corpos, até que o século 21 chegou. As vozes da diversidade se intensificaram, ao mesmo tempo em que a Mattel perdeu espaço no mercado para bonecas mais descoladas, tipo as “Bratz”. Tudo isso levou à reformulação da marca Barbie, em 2017 (antes tarde do que mais tarde?), que lançou novos formatos de corpo e cor de pele para a boneca.

Recentemente, com a pandemia e a desesperada necessidade dos pais de entreter suas crianças em casa, o brinquedo voltou a ganhar projeção. Nos últimos dois anos, as vendas cresceram como não acontecia há muito tempo e, agora, com o novo filme, a Barbie deve estar novamente na boca do povo. Será que finalmente a boneca, atualizada, está refletindo os desígnios da mulher contemporânea? Talvez. Mas mais do que representar o futuro promissor do feminismo, a evolução da Barbie reflete os avanços já alcançados. Menos loira, menos magra, menos branca, a boneca já é mais o que desejamos para as nossas filhas: que sejam elas mesmas, fazendo o que quiserem.

1 thoughts on “Toda Barbiezinha

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