A homenageada de maio da Pitaya, seu clube de assinatura de calcinhas favorito, tem 1,80m de altura. Ela um mulherão em todos os sentidos: atriz, bailarina e cantora, uma estrela completa, nos palcos e na televisão. Desde muito nova, foi atrás dos seus sonhos com obstinação e disciplina, sem nunca baixar a cabeça. Ué, quem é ela? É Cláudia Raia, um ícone nacional. Uma mulher feminista, enérgica, e que, aos 56 anos, acabou de tornar-se mãe pela terceira vez!

Raia uma Cláudia

  • Maria Cláudia Raia nasceu em Campinas, em uma família de mulheres. Com a perda do pai aos 4 anos, a menina foi criada pela mãe, a avó e a irmã mais velha.
  • A vocação para as artes veio de berço, já que sua mãe era bailarina, musicista, maestrina e empresária. Além de apresentar-se, a mãe geria a rede de suas 10 academias de dança por todo interior de São Paulo. E a irmã também era coreógrafa.
  • Não foi à toa que Cláudia começou a fazer aulas de dança aos dois anos de idade! E nunca mais parou. Aos 13 anos, a menina de 1,70 de altura (chegaria a 1,80!) ganhou uma bolsa para praticar ballet em Nova York, no American Ballet Theatre, onde ficou por quatro anos.
  • Em Nova York, ela morava no Harlem. Estudava 8 horas por dia, ensaiava dança por mais umas quantas e ainda trabalhava como garçonete para se sustentar! Uma rotina de mais de 15 horas por dia!
  • Além dos desafios diários, Cláudia sofreu uma tentativa de estupro logo que chegou nos EUA, do coreógrafo que a acolheu em sua casa. Assim que a menina percebeu a investida, quebrou uma coruja de porcelana na cabeça do agressor e saiu porta a fora.

Rainha dos musicais

  • Quando voltou dos EUA, aos 15 anos, teve a oportunidade de morar na Argentina, com a avó, onde foi admitida no corpo de ballet do Teatro Colón, o maior do país.
  • Em 1982, uma época de conflito na Argentina devido à guerra das Malvinas, a bailarina veio de férias no Brasil. Foi exatamente nessa época que estavam abertas as inscrições dos testes de elenco para um dos primeiros grandes musicais produzidos no Brasil: A Chorus Line.
  • Como uma boa bailarina, Cláudia sente prazer na disciplina. Ela é obstinada e se dedica muito a tudo o que faz. Decidiu que teria o papel da protagonista, Sheila. Um detalhe: a personagem teria 40 anos. E ela estava com 16 na época!
  • Nada diminuiu seu ímpeto. Chegou às 4h da manhã e foi a primeira na fila da audição. Foi convicta e disse para os diretores que seria a estrela da produção.
  • O papel até chegou a ser oferecido para uma atriz mais famosa na época, mas propositalmente sugeriram um cachê baixo, para que ela desistisse e Cláudia fosse chamada. Ela brilhou! O espetáculo foi um sucesso estrondoso e ficou em cartaz por dois anos, entre Rio e São Paulo.
  • A partir daí, a carreira de Cláudia despontou, não apenas como bailarina, mas também como atriz e humorista. O amor pelos musicais, contudo, seguiu firme, em paralelo. E até hoje a dançarina não fica muito tempo longe dos palcos, performando e produzindo.
  • Desde os 19 anos, atua como produtora, trazendo grandes espetáculos para o Brasil. Se no começo ela chegou a se endividar para viabilizar seus projetos, hoje o gênero é um dos mais populares no país, que mais enche os teatros! Em 35 anos, Cláudia produziu mais de 20 musicais diferentes, com turnês pelo Brasil todo.

Dos palcos para a TV

  • Dentre os espectadores que se encantaram com Cláudia em A Chorus Line, estava Jô Soares. Ele ficou maravilhado pelo talento e expressividade da menina. No mesmo dia em que a conheceu, foi para casa e escreveu uma nova esquete para o seu programa, incluindo a artista.
  • Cláudia chegou no estúdio achando que seria incorporada ao corpo de dança do show do Jô. Até que descobriu que faria dupla com o gordo no seu programa de “malhação”, em que, em roupas de ginástica dos anos 1980, eles “malhavam” com a política e economia do país.
  • A atriz conta que Jô foi seu primeiro grande amor. Aos 17 anos namorou com o apresentador de 52, por quase dois anos. Em seguida, engatou em um romance tórrido com Alexandre Frota, dos 19 aos 22. O casamento foi um acontecimento público de massa, onde os fãs arrancaram o véu e até o sapato da noiva.
  • O matrimônio não durou muito. Já na lua-de-mel brigaram feio quando Frota jogou os chapéus (chiquérrimos!) de Cláudia no mar porque não cabiam no bagageiro. E para revidar, na separação ela jogou todas as coisas dele na lagoa Rodrigo de Freitas. Um amor tranquilo (só que não)!
  • Na Globo sua primeira novela foi simplesmente Roque Santeiro, um dos maiores sucessos da história da emissora. No começo ela fazia só figuração, mas o personagem foi aumentando e ela foi ficando conhecida.
  • Mais tarde, participou de humorísticos memoráveis, como TV Pirata, onde se descobriu uma comediante de verdade, com papéis que fugiam do estereótipo de “gostosona” que estava acostumada a fazer.
  • Em quase 40 anos na TV Globo, Cláudia Raia acumula papéis icônicos em novelas, entre mocinhas, vilãs e núcleo de comédia, além de prêmios de atuação.

Mulher madura e orgulhosa

  • Talentosa em tudo o que faz, Cláudia também é um deslumbre só. Chama atenção pelo seu tamanho, pela sua energia e pelo seu jeito espalhafatoso, que encanta o público. Foi assim que, em 30 anos de carreira, fez mais de 600 capas de revista. E segue fazendo.
  • Acostumada com os holofotes desde muito nova, Cláudia Raia foi envelhecendo na frente das câmeras e em cima dos palcos. É uma ferrenha porta-voz do movimento ageless – defende que as pessoas não devem ser categorizadas e julgadas pela idade. Ela advoga pela liberdade das mulheres de começarem e recomeçarem projetos depois dos 50 anos!
  • Esse foi justamente o movimento que ela escolheu. Aos 45, depois do término do casamento de 17 anos com Edson Celulari, casou-se novamente, com o dançarino Jarbas Homem. E, no trabalho, não parou um segundo de produzir, conquistando cada vez mais prêmios na TV e nos teatros.
  • Cláudia virou o assunto mais comentado do país quando revelou que estava grávida pela terceira vez, aos 55 anos. Após uma tentativa mal-sucedida de fertilização in vitro, ela, que estava na menopausa desde os 48, voltou a ovular e acabou conseguindo engravidar naturalmente, uma situação extraordinariamente rara.
  • Mesmo que a gravidez de Cláudia Raia seja um ponto absolutamente fora da curva (os médicos indicam que a idade mais segura para engravidar é até os 35 anos), a vivacidade dessa mulher é uma inspiração para todas nós!
  • Descartar mulheres maduras é um sintoma da sociedade machista, que valoriza a “sabedoria” dos homens mais velhos e trucida as rugas das senhoras. Que Cláudia Raia, essa mulher gigante, possa servir de exemplo na hora de reivindicarmos nosso protagonismo em qualquer idade!

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