A homenageada do mês da Pitaya foi uma das poucas mulheres a integrar a tropicália brasileira. Com uma voz inconfundível, é considerada uma das maiores intérpretes da história do Brasil. Performática, ela marcou sua época, e foi desde ícone hippie até símbolo da Música Popular Brasileira. Ué, quem é essa? É Gal Costa, artista brasileira que completou mais de 50 anos de carreira musical colecionando sucessos, e que nos deixou precocemente em 2022.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

  • Gal Costa, ou Maria da Graça Burgos, nasceu em 1945, em Salvador. Filha única, ela recebeu muito incentivo da mãe para carreira musical. O estímulo, inclusive, veio desde a gravidez, quando a mãe colocava música clássica para embalar o bebê. O pai, por outro lado, sempre foi ausente, e faleceu quando a menina tinha 14 anos.
  • Apaixonada por música, o primeiro emprego de Gal foi como balconista em uma loja de discos de Salvador, ainda nos anos 1960. Foi nessa época que ela conheceu a obra de João Gilberto, um dos pais da bossa nova, seu primeiro ídolo.
  • Ainda em Salvador, ela foi apresentada a Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, amizades que levaria para a vida, além de parcerias profissionais que definiriam sua carreira. Gal foi madrinha do primeiro filho de Caetano, Moreno Veloso, e também da primogênita de Gil, a Preta.
  • Em 1965, Gal Costa fez sua primeira gravação ao participar de canções de um álbum lançado por Bethânia (irmã de Caetano). Nessa altura, Gal já havia se mudado para o Rio de Janeiro para investir em sua carreira artística. E em 1967, lançou seu primeiro álbum.

CONTRACULTURA

  • Em 1968, em parceria com os amigos baianos, a cantora participou do álbum Tropicália ou Panis et Circencis e integrou o Tropicalismo, movimento que revolucionou a música brasileira. É desse trabalho a canção Baby, o primeiro sucesso da carreira de Gal. Foi uma ruptura com o repertório de João Gilberto que ela explorava até então.
  • Com muita influência de Janis Joplin, Jimi Hendrix e James Brown, ela mudou o visual discreto por uma cabeleira cacheada e volumosa, que seria sua marca. Adotou um figurino mais provocante e deixou a voz calma da bossa nova pela estridência do tropicalismo, sempre com a mais cristalina afinação.
  • No festival da Record, de 1968, ela encarnou a própria Janis Joplin na interpretação de “Divino Maravilhoso” (é preciso estar atento e forte).
  • O objetivo, nessa época, era deglutir a moda jovem internacional e misturar com o melhor da brasilidade. Gal encarnou o movimento, e foi puro brilho, movimento e performance.
  • Em plena ditadura militar, e plena vigência do AI5, Gal foi responsável, em 1971, por um dos shows de maior repercussão da história da MPB: “Gal a Todo Vapor”.
  • Enquanto Gil e Caetano estavam no exílio, Gal se tornou o bastião do tropicalismo no Brasil. No show, ela reafirmava as conquistas do movimento, e articulava poesia, artes visuais e potência sexual.
  • Apesar de não ter tido sua obra censurada, o seu álbum Índia, de 1973, foi vendido “ensacado”, para não deixar a mostra a capa que estampava um close da virilha da artista, coberta por uma tanga vermelha. Na contracapa, os seios também estavam à mostra. O LP trazia sentimento de revolta social e letras contestadoras e subversivas, mas não foi tirado de circulação pelo regime militar.

ÍCONE DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

  • A partir do final dos anos 1970, já na reta final da ditadura, Gal voltou a se reinventar. Foi passando de musa hippie para uma cantora mais mainstream. Em 1979 ela estreou o show “Gal Tropical”, que foi um sucesso de público, uma guinada para que ela se tornasse uma cantora das massas.
  • A sonoridade mais revoltada foi substituída por ritmos carnavalescos e dançantes. A partir dali, sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como “Modinha para Gabriela”, que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado.
  • Foi nessa época que Gal cantou alguns dos maiores sucessos de sua carreira, como “Balancê”, “Força estranha” e “Noites cariocas”. E, ainda em 1980, gravou o disco “Aquarela do Brasil”, com outros tantos hits.
  • O lançamento do disco Bom Bom, de 1985, é considerado o momento oficial de popularização da cantora. “Um dia de Domingo”, do Tim Maia, e “Sorte”, do Caetano, foram estouros na voz de Gal! Esse é o álbum mais vendido de sua carreira e ainda hoje é considerado um dos melhores da MPB.

ANOS 1990

  • A partir dos anos 1990, Gal já estava consolidada como uma das maiores vozes do mundo. Em 1991, seu álbum “O Sorriso do Gato de Alice” foi produzido por um americano.
  • Em 1994, Gal estreou o show de mesmo nome, também dirigido por um gringo, que gerou frisson: quando a cantora cantava “Brasil”, hit de Cazuza, deixava os seios à mostra. Já não mais como sex symbol, Gal mostrava o peito em sinal de altivez.
  • Nos anos 1990 e começo dos anos 2000 a artista ficou mais afastada dos palcos. Na vida pessoal, a cantora foi sempre muito discreta. Desde 1998 estava casada com Wilma Petrillo, sua empresária. E em 2007 adotou o filho Gabriel, quando ele tinha 2 anos.
  • Em 2002, Gal foi incluída no hall da fama do Carnegie Hall (única cantora brasileira a participar do Hall, em Nova York), após participar do show “40 anos de Bossa Nova”.
  • Nos últimos anos, a cantora estava de volta à ativa. Em 2012, lançou o álbum “Recanto”, dirigido por Caetano; em 2014, fez uma homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, e, em 2016, brilhou com “Estratosférica”, em comemoração aos seus 50 anos de carreira.
  • Em 9 de novembro de 2022, Gal Costa faleceu, aos 77 anos. Ainda que não erguesse a bandeira feminista, o legado que a artista deixa para as mulheres é do espírito que encarnou dentro e fora dos palcos, de liberdade.

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