Ela foi um símbolo do rock nacional nos anos 1990. No palco, ela era um show, seu vozeirão e sua presença irreverente eram inigualáveis. Na vida pessoal, ironicamente, era doce e tímida. Genuína, nunca escondeu sua homosexualidade, e se orgulhava da família que construiu. No auge da fama, veio a morte precoce. Cássia Eller era uma adorável rebelde, e deixa saudades até hoje, mais de 20 anos após a sua morte!

Antes da fama 

  • Filha de pai militar (sargento do Exército) e mãe dona-de-casa, Cássia Rejane Eller nasceu no Rio de Janeiro em 1962. A mais velha de 4 irmãos, viveu a infância em várias cidades do Brasil, de Minas ao Pará.
  • Desde criança, ela já sabia que queria ser artista e desde os 14 tocava violão. Sempre muito tímida, ela usava a música para socializar. 
  • Quando Cássia tinha 18 anos, a família foi morar em Brasília, e foi aí que a cantoria começou. Ela participava de coral, fazia aula de canto e seu sonho era ser cantora de ópera!
  • Sem a disciplina exigida para o estudo formal, contudo, não chegou a terminar nem o segundo grau. Para sair da casa dos pais, ela fazia bicos de garçonete (além de lavar louça também fazia um arroz de pequi de dar água na boca!), e foi até de auxiliar de pedreiro. 
  • Quando foi demitida de uma vaga temporária de secretária no Ministério da Agricultura, após 3 dias de trabalho, ela resolveu que estava na hora de apostar só na música. Ela participou de trio-elétrico, e por dois anos fez parte de grupo de forró (apesar de ser apaixonada mesmo por Rock)! Em 1981, ela integrou um espetáculo de Oswaldo Montenegro, onde as primeiras portas do show business brasiliense se abriram!
  • Aos poucos, a menina foi ficando conhecida no circuito musical da capital. Ela fazia todo tipo de apresentações, e os musicais de que participava já davam uma boa bilheteria.

Sapatona, roqueira e mãe

  • Na vida pessoal, Cássia não escondia sua homosexualidade. Em Brasília, vivia em uma república com amigas e uma namorada, até que conheceu Maria Eugênia, sua futura parceira de vida, e inicialmente formaram um trisal. O amor de Cássia sempre foi assim, fluído, e seus relacionamentos, livres.
  • No final dos anos 1980, ela começou oficialmente sua carreira como intérprete de Rock. Sua primeira fita demo para gravadora foi com uma música do Renato Russo. Ela amava Beatles desde a adolescência, e seus primeiros trabalhos foram marcados pelo rock mais pesado.
  • Seu tio Anderson foi seu primeiro empresário. Ele que conseguiu o primeiro contrato com uma gravadora em 1990. Nessa época, ela, o tio e vários amigos músicos alugaram uma casa no Rio, onde viviam juntos, tipo uma comunidade hippie. Foi aí que o contato de Cássia com as drogas se intensificou. 
  • Em 1992, Cássia engravidou de um amigo músico, Tavinho (na época essa paternidade foi escondida, já que ele já tinha uma família). Ser mãe era um sonho seu, e aos 30 anos achou que estava na hora. Infelizmente, o pai  do bebê sofreu um acidente de carro, e sua missa de sétimo dia aconteceu no dia do parto. Cássia e Maria Eugênia, que já se relacionavam há alguns anos, criaram juntas o filho Francisco, o Chicão. 

Artista nacional – do rock ao samba

  • Em 1994, aconteceu outro marco importante na vida da cantora: conheceu Nando Reis, que seria seu grande parceiro artístico. No primeiro encontro, na casa de Marisa Monte, Cássia ficou tímida e mal cumprimentou Nando. Aos poucos, contudo, eles foram se conhecendo, e se tornaram grandes amigos.
  • As trocas com Nando Reis, que compôs muitos dos maiores sucessos cantados por Cássia (Segundo Sol, Relicário, All-Star), foram fundamentais para ampliar o leque musical de Cássia. Se antes ela focava nas músicas mais pesadas, com a chegada de Chicão e de Nando em sua vida, foi tornando seu repertório vasto, e sua voz ganhou ternura. E ela estourou com músicas de MPB, pop, rock, samba, e até Edith Piaf!
  • Na segunda metade dos anos 1990, Cássia já era uma artista de referência nacional. E fazer show era o que a cantora mais gostava. Apesar de ser conhecida na vida pessoal pela doçura e pela timidez (ela era o terror dos entrevistadores com respostas sempre lacônicas), no palco, ela brilhava. Ela performava, interpretava, mostrava os seios, se divertia! A personagem irreverente despertava!
  • Quando seus shows aumentaram, ela começou a sentir saudades do contato mais direto com as audiências menores. Rebelde que era, começou a dar um jeito de aparecer em shows de interior, em clubes e bares, sem ser anunciada e sem cobrar cachê. Arranjava esses eventos só pela diversão! Seu agente, claro, ficava louco!
  • Por isso, mesmo com a fama, Cássia seguia com problemas financeiros. Ela detestava se incomodar com burocracias, e assinava qualquer coisa para não se incomodar. 

O auge, o fim e o legado

  • 2001 foi o ano da vida e da morte de Cássia. Já em janeiro ela começou arrasando no Rock in Rio, diante de um público de 90 mil pessoas. Por pedido do filho, ela tocou uma música do Nirvana, e foi super elogiada por Dave Grohl,  ex-integrante da banda que estava no festival que se arrepiou com a performance da brasileira.
  • Foi nesse ano também que ela gravou o CD acústico MTV, seu maior sucesso. Ela se popularizou, conquistando audiências de todas as idades. Com essa turnê ela rodou o Brasil: foram quase 100 apresentações ao longo do ano.
  • A intensidade da estrada se misturou com problemas pessoais, de drogas (ela fazia tratamento há alguns anos já, mas enfrentava recaídas) e de relacionamento. No final de 2001 Cássia tinha crises de ansiedade frequentes. 
  • Foi no dia 29 de dezembro de 2001, dia do aniversário de sua mãe, aos 39 anos, no auge de sua carreira, que Cássia Eller faleceu, em decorrência de um infarto do miocárdio repentino. Cássia não conseguiu lidar com a fama.
  • Após a sua morte, começou um embate judicial entre Maria Eugênia (apoiada pelos irmãos e pela mãe de Cássia) e o pai de Cássia pela guarda de Chicão, motivado por dinheiro. O processo, vencido pela viúva que foi parceira da cantora por 14 anos, foi emblemático para os direitos civis das famílias brasileiras formadas por casais homossexuais.
  • Mesmo após a morte, Cássia deixou seu legado. Seu ativismo foi sempre no palco, onde mostrou-se verdadeira e genuína.

Esse texto é  da Pitaya, a primeira assinatura de calcinhas e sutiãs do Brasil.

Mais do que uma assinatura, uma comunidade de mulheres empoderadas.

Afinal mulheres modernas merecem ser cuidadas, e bem estar começa na intimidade.

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