Ué, quem é essa? 

Carlota foi educadora, médica, escritora e política. Um currículo invejável para muitos homens do século 21, né? Pois bem, gurias, essa moça nasceu no fim do século 19, em São Paulo, e fez história. Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher a se eleger deputada federal no Brasil, em 1934.

Nascida em uma família paulista abastada, Carlota seguiu a trajetória no mundo do trabalho que era possível para mulheres da época: o magistério. Ela dava aula para crianças e mulheres, e se esforçava para tentar democratização o acesso ao ensino. Mas mesmo nessa área bastante feminina, os lugares de destaque eram dos homens, e Carlota tinha mais aspirações do que ser sombra de alguém.

Diferente do estereótipo da mulher recatada, humilde, altruísta, Carlota queria mesmo era fazer diferença social e, sim, ser conhecida e reconhecida por isso. Queria ser um símbolo, e achou que medicina era o caminho. 

Na sua formatura, em 1926, ela já venceu um prêmio por seus estudos sobre o câncer. Logo em seguida, se tornou chefe de um laboratório pediátrico. Aí em 1932 eclodiu uma revolução que deu novo rumo para vida da Carlota, a Revolução Constitucionalista em São Paulo (que era meio separatista, meio contra o autoritarismo do Getúlio Vargas). Como médica do lado revolucionário, Carlota fez parte de uma seção da Cruz Vermelha, liderando 700 mulheres que prestavam assistência aos feridos. 

No fim, a revolução convenceu Vargas a democratizar o governo (pelo menos por um tempo) e a chamar eleições para uma assembleia constituinte, para elaborar uma nova constituição. Foi a federação dos voluntários que incluiu Carlota de queirós na lista de candidatos, e ela venceu! Menos de um ano antes, o código eleitoral tinha FINALMENTE estendido às mulheres o direito de votar, e agora uma deputada era eleita! Ela participou da comissão de saúde e educação e foi responsável pela inclusão de artigos sobre serviços sociais na nova constituição. 

Em 1934, houve eleições normais para a câmara de deputados, e Carlota venceu novamente. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças e de melhorias educacionais que melhor contemplassem as mulheres. Ela se manteve no congresso até 1937, quando Vargas fechou o legislativo e implantou a ditadura do Estado Novo.

Fora da política, Carlota entrou para a Academia Nacional de Medicina e fundou a Associação Brasileira de mulheres Médicas. 

Depois da redemocratização ela se candidatou de novo para cargos no congresso, mas não teve sucesso. Nessa altura ela já tinha entrado para a história. Carlota representou um novo capítulo para as mulheres brasileiras: em que elas passaram a ser formuladoras das políticas públicas, agentes da mudança dentro do aparelho do estado. Ela abriu caminhos, mas nós sabemos que o avanço é lentinho, né?

Em 1995 (60 anos depois da Carlota de queirós!) as mulheres representavam só 10% dos membros do parlamento no mundo. Aí a ONU estabeleceu uma meta de 30% de representação política feminina até 2015. Não rolou, teve que ser adiada para 2020, e talvez até mais, porque em 2015 apenas 41 legislaturas no mundo INTEIRO ultrapassavam os 30% de representação feminina. 

A média mundial de mulheres no parlamento HOJE não passa dos 22%! O avanço ainda pouco “natural”. Desses 41 países com maior representação política feminina, 34 aplicaram alguma forma de cotas.

Ruanda (64%), Bolívia (53%) e Cuba (49%) estão no topo da lista, e são os únicos três países do mundo que praticamente atingiram ou superaram a equidade no parlamento, e por razões bem específicas das realidades desses lugares. A maioria dos países ainda está bem longe desse ideal. 

Em 37 países ainda há menos de 10% de mulheres nas legislaturas. Em 6 desses, não há NENHUMA mulher no congresso. Então terminamos a edição desse mês com um beijo especial para as nossas 77 (de 513) deputadas federais e 12 (de 81) senadoras da república. Representatividade importa! 

Esse texto é mais um da série de mulheres brasileiras homenageadas da Pitaya, a primeira assinatura de calcinhas e sutiãs.

Mais do que uma assinatura, uma comunidade de mulheres empoderadas.

Afinal mulheres modernas merecem ser cuidadas, e bem estar começa na intimidade.

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