Arquiteta autodidata, ela foi responsável pela coordenação do projeto do Parque do Flamengo (maior aterro urbano do mundo). Mulher lésbica e intelectual, viveu sem pedir desculpas, quebrando tabus desde o começo do século passado. Ué, quem é essa? É Lota de Macedo Soares, herdeira de uma família da elite carioca, que se dedicou a trazer a modernidade ao Rio de Janeiro.

1910 – Nascida em berço de ouro

  • Maria Carlota nasceu em 1910, em berço de ouro de uma família tradicional da elite carioca. Viveu os primeiros anos de vida em Paris, quando seu pai, oficial da marinha, servia na Europa.  
  • Ao retornarem ao Brasil, seu pai largou a carreira militar para engajar-se no jornalismo e na política de oposição ao governo da época. Como resultado, em 1922 ele foi preso, e a família teve que partir novamente para o exílio, na Bélgica, onde Lota pôde frequentar os melhores colégios e vivenciar o borbulhante cenário artístico europeu.

1930 – Juventude na boemia carioca

  • Em 1928, de volta ao Brasil, Lota aprofundou-se no mundo das artes.  Assumidamente homosexual, ela tornou-se amiga de artistas, escritores e políticos. Fez aulas com Portinari e participou da criação do Museu de Arte Moderna do Rio.
  • Na política, curiosamente, ela integrou a União Democrática Nacional (partido super conservador), e era amiga pessoal de Carlos Lacerda (um dos maiores porta-vozes direitista no país).
  • Em 1940, Lota resolveu viver em Nova York, onde conheceu a bailarina Mary Morse, sua primeira companheira. Quando retornou ao Rio, com Mary, elas começaram a idealizar um empreendimento: a construção de um grande condomínio de luxo, no terreno que Lota herdara de sua mãe. A propriedade seria habitada por amigos da intelectualidade carioca, na Fazenda Samambaia, perto de Petrópolis.

1950 – Triângulo amoroso em Samambaia

  • Mary e Lota passaram a viver em Samambaia, que servia como refúgio do casal, sem que elas escondessem nada de ninguém. Nesse idílio, famoso pela pinacoteca e biblioteca, elas adotaram 4 meninas de abrigos do Rio de Janeiro.
  • A paz reinava em Samambaia, até que em 1951, uma amiga de Nova York, Elizabeth Bishop, veio ao Brasil, de passagem durante uma viagem. Eis que a estadia, que era para durar 4 dias, estendeu-se por 15 anos!
  • Ao experimentar pela primeira vez um caju, Bishop desenvolveu uma alergia que quase a matou, e precisou ficar sob os cuidados das anfitriãs. Nessa aproximação, surgiu um romance arrebatador entre Lota e Bishop (o filme brasileiro “Flores Raras”, com Glória Pires, conta essa história de amor! Vale a pena!). 
  • Com o relacionamento, as duas mudaram-se para uma casa ao lado da de Mary. O projeto da nova morada foi expressão da paixão de Lota não apenas por Bishop, mas também pela arquitetura moderna. 
  • Foi no sossego dessa casa que Bishop publicou seu segundo livro, em 1955, e ganhou fama definitiva, ao receber o prêmio Pulitzer de poesia, em 1956. 

1960 – Central Park no Flamengo 

  • Lota idolatrava a esposa, e queria ficar à sua altura. A chance de fazer algo grandioso surgiu em 1960, quando seu amigo Carlos Lacerda assumiu o governo do Rio. 
  • Apesar de não possuir diploma, Lota era curiosa, autodidata nas artes que a apaixonavam. Reconhecendo o conhecimento da amiga em arquitetura, paisagismo e urbanismo, Lacerda convidou-a para trabalhar como coordenadora do aterro do Flamengo.
  • Lota foi a responsável pela reformulação do projeto, trocando as pistas de carro por espaços abertos e arborizados, destinados a parques e centros de atividades culturais. Para ela, era um projeto para interação de pessoas, era o Central Park brasileiro.
  • A construção do parque, entre 1961 e 1965, consumiu boa parte do tempo e da saúde de Lota, e também desgastou sua relação com Bishop. Em 65, ela foi afastada do projeto por mudanças políticas, depois que a esposa já havia retornado aos EUA. 
  • Diagnosticada com arteriosclerose e depressão, em 1967, Lota foi a Nova York para reencontrar Bishop. Na manhã após sua chegada, a poetisa encontrou Lota inconsciente, no chão da cozinha, após uma overdose de tranquilizantes que a matou, aos 57 anos.

Visibilidade Lésbica 

  • Lota não escondia seu amor, e ninguém deve esconder! Mas a gente sabe que não é tão fácil. No caso das mulheres lésbicas,  elas sofrem, simultaneamente, com a homofobia e o machismo.
  • Em 2018, Dossiê do Lesbocídio, da UFRJ, apresentou dados específicos dos assassinatos de mulheres lésbicas: entre 2014 e 2017, 126 lésbicas foram brutalmente assassinadas no país!
  • Em agosto há duas datas comemorativas para refletirmos sobre essa pauta: 19 de agosto, Dia do Orgulho Lésbico, e 29 de agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. 

Esse texto é  da Pitaya, a primeira assinatura de calcinhas e sutiãs.

Mais do que uma assinatura, uma comunidade de mulheres empoderadas.

Afinal mulheres modernas merecem ser cuidadas, e bem estar começa na intimidade.

Ficou curiosa? Confere como funciona aqui e se tiver qualquer dúvida fale com a gente por aqui

  • biografia lota de macedo

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